Quem somos

4 de nov. de 2008

Mulherada muito louca...


Toda manha elas pegam sol no terraco de casa, correndo varios riscos de serem notadas, de calcinha Trifil e topless...sintetizando vitamina E, ficando rosadas, escutando muita musica e lendo livros de sabedoria como bhagavad gita, vedanta e tantric sex...e muitas risadas...

Comer, passar o tempo e se divertir...




Como ja comentamos aqui, estamos vivendo uma experiencia familiar, temos mae, pai, irmao, irma, sobrinha e cunhado... alem de toda acomodacao temos direito ao cafe da manha e jantar - total estilo Indiano, do sul da India - o que torna tudo muito, muito, mais muito apimentado.
Bom, eu adoro ne... mas a Eti tadinha... a Marza manda ver em tudo que vem na mesa.
Chego da pratica, vem o cafe da manha e banho de sol matinal, onde entao as meninas maluquinhas correm para o ocidente.
Encontramos um cafe super estilo Starbucks chamado Barista... la estamos nos todos os dias, ja provamos todo o cardapio... trocamos ideia, curtimos as musicas do ambiente, pes na cadeira...
Quando bate a fome (da Marza), la vao elas para a Pizza Hut. A cena diaria e quase comica, a Eti e a Marza se entopem de pizza e macarrao... e Eu, que vivo de dieta, compro uma sacola de fruta e chocolate e detono dentro da pizzaria... os garcons nao acreditam. Depois de frequentar por uma semana, percebemos que todos os dias eles recebem inusitadas visitas: Travestis Indianos, maquiados, com binds e vestidos de sari rosa... sempre estorquindo dinheiro da galera, ve se pode?? So na India mesmo.
Depois do almoco, vamos direto para o Anu`s Cafe, o lugar mais legal de todos... tem internet, almoco indiano feito para gringo e um super suco de uva delicia, so tem branquelo na area!
Ha uns dias atras, para mudar o roteiro encontramos o Edelweiss, The Austrian Cafe - simplesmente o melhor expresso com brownie e calda de chocolate... ah, e suco de abacaxi com agua filtrada... amamos, pena que nao podemos colocar os pes para cima e nem trazer comida de fora.
E depois do super role voltamos para casa... ansiosas para que o jantar esteja servido...
Hum... essa e nossa deliciosa rotina em Mysore, as vezes vamos visitar uns sigthseeings, fazer compras, passear de rickshaw e tudo mais... porem, comer e conversar tem sido a melhor diversao.


Claro, nao posso deixar de comentar que o meu melhor momento do dia e a pratica no SHALA.

Aniversario indiano...

Tudo bem que eu ja sabia que eu passaria meu vigesimo nono aniversario na India e que seria um tanto inusitado, principalmente por ser 2 dias apos o Vipassana. Mas eu nao sabia que seria tao especial e tao indiano!! Meu aniversario caiu no segundo dia de hospedagem em Mysore e na casa da nossa super familia indiana. As meninas, e claro, fizeram questao de anunciar para eles que aquele era meu dia, e entao eles - nossa mae e nosso pai indianos - decidiram fazer uma "surpresa" para mim a noite. Durante o dia comemos pizza na Pizza Hut, tomamos cafe expresso no Barista (mal sabiamos que bateriamos ponto quase todos os dias nesses lugares) e a noite fomos pra casa super curiosas sobre a tal da surpresa...Quando chegamos la, a familia ja estava toda reunida - o pai, a mae, o filho, a filha, a neta, o irmao, a cunhada e o cachorro. Me colocaram sentada no sofa central da sala em frente ao bolo de chocolate (nao era nada apetitoso, mas comi como se fosse o melhor da minha vida) escrito "Happy Birthday to Marza" e colocaram uma coroa de flores no meu pescoco. Quando vi esse bolo e as flores, a emocao ja comecou a aflorar, afinal de contas nos conheciamos ha apenas 1 dia...Colocaram uma super vela de rezar no bolo, e pediram para as meninas cantarem parabens em portugues, depois todos cantaram em ingles e por ultimo a familia cantou em hindi...nessas alturas eu ja estava super emocionada e nao sabia muito o que fazer com a minha timidez...fiz meu pedido, apaguei a super vela e comecaram os rituais indianos...as mulheres seguraram um prato com um liquido vermelho e 2 velas pequenas acesas e me abencoaram entoando alguma cancao em hindi, apaguei essas velas, sem saber o que fazer next, e a mae passou esse liquido vermelho nos meus dois olhos...me senti realmente abencoada para iniciar o meu particular ano novo...entao cortei o bolo e mais surpresas...cada integrante da familia cortava um pedacinho de bolo e dava na minha boca me desejando Feliz Aniversario!! Wow...estava realmente emocionada!! aih depois nos serviram salgadinhos indianos (aqui se come o bolo antes dos salgados) e especialmente para nos, cerveja Kingfisher...que so nos e o pai beberam...depois jantamos de verdade e fomos dormir...
Fui dormir tao bem, mas tao bem, sem desejos e sem aversoes...que acho que esse ano sera muito especial!!! Me sinto cada dia mais abencoada por estar na India, por estar dando tudo tao certo, por ser eu mesma, por eu ser feliz, por eu amar, por eu ser! e que venham os 30 anos!!!

1 de nov. de 2008

Você é livre mesmo?





Antes de embarcar para esta super jornada, comprei uma revista no aeroporto que falava basicamente sobre liberdade. Para não carregar peso, li toda no avião, arranquei algumas páginas que considerei relevantes e carrego comigo até hoje.
Uma das reportagens iniciava com o título: Você é livre. E daí?
Quando eu era adolescente acreditava que ser livre era fazer tudo que eu estivesse com vontade sem ter que dar satisfação a ninguem... simplesmente fazer e falar tudo que viesse na minha cabeça... nada como o tempo para trazer amadurecimento e muito Yoga para ajudar a abrir a cortininha de ignorância que cobre os olhos da alma e do coração.
Hoje percebo que ser livre vem de dentro, quando aprendemos a respeitar o espaço dos outros, conquistamos nosso próprio espaço... quando nos libertamos do apego aos prazeres e delícias da vida e também deixamos de lado a aversão aquilo que não gostamos.
Isso é realmente estar livre... quando os prazeres e aversões não mais nos abalam, quando aprendemos de verdade que tudo na vida é passageiro, as mudanças são constantes acontecem o tempo todo, precisamos estar receptivos para aceitar, sem apego e aversão a nada.
No craving... No aversion... Always changing changing changing...


The Basis of Your Life is Freedom; the Purpose of Your Life is Joy.

31 de out. de 2008

Mysore... linda, limpa e civilizada







Amiga indiana em Jaipur




Depois do Vipassana tivemos nosso primeiro contato com uma familia indiana em sua casa...como nao tinhamos para onde ir ate a hora do voo para Bangalore, que era de madrugada, ela nos convidou para passar o dia com ela...alem de eles nos oferecem comidas "diferentes" o tempo todo, fizemos nossas refeicoes no chao bem ao lado de uma mesa com cadeiras...culturas...com ela tivemos nossa primeira experiencia de andar em 3 pessoas em uma scooter sem qualquer equipamento de seguranca...foi muito bom!! com ela descobrimos que nos simplesmente pagamos muito mais que o dobro pelas coisas aqui na India...e ela tambem me deu altos esporro quando na casa da irma dela eu pedi para lavar a mao antes de comer os snacks e frutas que ela nos serviu..."Aqui na India voce nao precisa lavar as maos" - ela disse...fiquei sem acao e apenas acreditei...pelo menos ate agora nao tive nenhum problema...fomos comprar saris com ela e tudo mais...ela foi muito legal, dedicou todo seu dia para nos...claro, ela era quem dizia/mandava o que nos iriamos comer ou fazer, mas tudo bem, no final do dia entendemos sua cultura e dedicacao quando nos disse que provavelmente nao era a toa que tinhamos nos encontrado, teria alguma razao espiritual...




As fotos são da cidade de Jaipur no Rajastão.

Chegou o dia


Nao sei se todos que estao acompanhando nosso blog sabem que o objetivo principal da vinda a India e Mysore... cidade do Ashtanga Vinyasa Yoga... ha muito tempo alimento este sonho, de um dia estar aqui, conhecer o velhinho Patthabi Jois e seu neto Sharath, vivenciar de verdade este metodo que eu tanto me dedico e admiro.
Chegar no aeroporto em Bangalore, pegar um taxi e ver as placas que indicavam a direcao correta para Mysore faziam meu coracao pular de tanta sensacao... caramba, estava chegando a hora... etapa final da viagem e tambem a mais esperada!
No caminho avisei o motorista: Ok, you can drop us in the Shala (vc pode nos deixar no Shala). O Shala e a casa da familia Jois e onde eles ensinam o metodo... saltar do carro deixou minhas pernas bambas, meus olhos brilhavam, estava dificil de acreditar que era tudo verdade.
Conseguimos um quarto para ficar, numa casa de familia... agora tenho pai, mae e irmaos na India tb, uma verdadeira loucura, nosso pai parece o leoncio com seu super bigodao :) e nossa mae cozinha mega bem.
Como era feriado, nao pude me registrar naquele dia, o que me deu um certo conforto, estava nervosa, ansiosa... um super momento da minha vida!! O tempo foi passando e precisei de uns dois dias para digerir a ideia de estar aqui de verdade, acreditar que este momento era real e eu estava simplesmente vivenciando... fiz minha inscricao na quarta para iniciar a pratica no dia seguinte... gaguejei, preenchi a ficha tremendo e me emocionei por dentro... agora nao tem mais volta... e se entregar por inteiro, mergulhar la no fundo com coragem e muita determinacao.
Enfim minha hora chegou e valeu a pena esperar!!!
Uma das grandes licoes que aprendi nesta trip foi esperar o tempo real dos acontecimentos. Devemos sempre vibrar e batalhar por nossos sonhos e objetivos, porem e importante respeitar o ciclo natural das experiencias... mas ou menos aquela historinha do 'apressado como cru'... Tudo no seu tempo!!!

30 de out. de 2008

I can't make you happy, unless I am...


" Give me give me, give me just a little smile...that's all I ask of you (is that too much??)...let the good vibes get a lot stronger...don't worry, don't hurry, take it easy...
Jimmy Cliff

28 de out. de 2008

Vipassana by Kaka

Vipassana Meditation, de 15 a 26 de outubro.

Vivencia:

A CHEGADA - Entramos no dia 15 de outubro, as 15:00. Ao chegar preenchemos um monte de papel, guardamos todos os nossos pertences no cofre, reconhecemos o local de meditacao, quarto e demais areas... ainda juntas e tagarelando sem parar, mas eu estava um pouco ansiosa com o que viveria nos proximos dias.

17h serviram um arroz indiano, jantamos e sentamos para descansar ate que escutei a frase: Ok, mais 15 minutos de conversa e entao iniciamos o absoluto silencio.
18h apresentacao e explicacao de como seriam as atividades durante os dias de confinamento.
19h meditacao.
20h descanso.

DIA 1 - A DOR NO CORPO
Tudo parecia super tranquilo, mas ainda estava assustada com toda a gravacao, mantras, e apos o meio dia a dor no corpo parecia insuportavel, qualquer posicao deixava minhas pernas super dormentes a ponto de nao senti-las mais, a bunda ficou quadrada literalmente, as costas, ombros da cama de madeira praticamente sem colchao e tudo mais... terminei o dia sem muito sucesso na concentracao e com muita muita dor mesmo... cai na cama e dormi profundo.

DIA 2 - O SONO
Meditacao de jejum, cafe da manha sem cafeina e mais meditacao foram me deixando sonolenta a cada minuto... impossivel de tentar me concentrar na respiracao, minha cabeca ficava caindo... quase dava com a testa no chao :) e so acordava com os super peidos e arrotos dos quase 80 alunos que tentavam se concentrar na sala.
Os primeiros sons me davam vontade de rir, nossa cultura impoe muito pudor com relacao a peidos e coisa e tal... mas na india e liberado e parecia que a comida ajudava... definitivamente um zoologico humano.
No final do dia, capotei na cama, nem vi e pensei em nada, meu sono + dor no corpo pareciam ter me dominado completamente.

DIA 3 - A MENTE
Ja me acostumando com a ideia de ficar os 10 dias naquela situacao, dormindo sentada para amenizar a dor, hj foi o dia da mente... nossa ela pirou, nao sabia o que fazer, me mandava embora, depois queria ficar, amava a India e depois ja odiava... me questionava o tempo inteiro, ria de tudo que acontecia ao meu redor, me chamava de maluca... pirei completamente e nos intervalos saia para caminhar que nem louca nos 600 m que tinhamos para exercicios leves nas horas de break (30 minutos).
Para dormir rolei muito na cama, se ficava de lado doia os ombros, de bruco os peitos e virada para cima as costas... caramba e ainda tinha 8 noites pela frente.

DIA 4 - A DOR DE CABECA
Acordei bem melhor, o organismo foi se adaptando a rotina, e no final do dia anterior eu tinha solicitado por escrito Cha preto no cafe da manha, para minha surpresa la estava um super copo esperando... hum, ai sim, comecei de verdade a meditacao e no final da tarde aprendemos a tecnica do Vipassana. Os 3 primeiros dias sao dedicados a mente, afim de acalma-la, controlar o turbilhao de pensamentos e no 4 recebemos os primeiros ensinamentos.
Ja de primeira vivenciei todas as sensacoes... tentando deixar de lado uma imensa dor de cabeca, gente doia muito mesmo... era latente... por conta da dor, rolei na cama umas 2 horas para conseguir dormir (nao podemos tomar nenhum tipo de medicamento sem a autorizacao do professor).

DIA 5 - A DOR DE BARRIGA
Acordei ainda com a cabeca latejando, fui meditar, cafe da manha e entao a dor mudou de lugar... ai que dor de barriga... um alien la dentro, doia muito, mal podia me mecher... entao entendi a razao da dor de cabeca e percebi a limpeza. Passei os intervalos no banheiro... ai ai.
Acho que eu e todo mundo, estava dificil de se concentrar na tecnica, a galera peidando, gemendo, um verdadeiro festival sonoro... barrigas gritantes se alteravam pela sala.
Mas eu estava imcorporando super bem os ensinamentos e a tecnica, vivenciando as sensacoes como deveriam, o que me deixava mais tranquila... pensei bastante em como estariam as meninas... se estavam tb vivenciando como eu, a dores e as meditacoes.

DIA 6 - O PASSADO E O FUTURO
Hj com a barriga mais calma o corpo adaptado a rotina, porem, enlouquecidamente desesperado pelo movimento... nao aguentei. A pratica era proibida, as caminhadas tinham que ser passeando... me tranquei no quarto e com muita vergonha de assumir fiz uns abdominais hehe, achei que tudo bem naquele momento... minha mente estava impossivel, pulando do passado para o futuro como um macaca, nao parava, ficava remoendo algumas coisas que passaram... e projetando muito muito mesmo o futuro. Como eu estava trancafiada naquele lugar, soltei a mente, a unica que poderia se libertar... por pelo menos um dia... casei, descasei, viajei o mundo, dei aulas de Yoga em varios locais, mudei de profissao, imaginei amigos, praias, chocolates, cervejinhas... hum prazeres... fui dormir feliz, sem ter meditado de verdade nenhuma vez.
Feliz mesmo, pois mechendo no passado perdoei tudo e todos, principalmente eu mesma!!!

DIA 7 - O DESCASO
Hj me dei conta que as sensacoes que eu sentia com a meditacao Vipassana eram as mesmas que eu conseguia na minha pratica, no momento do relaxamento final... fiquei um pouco decepcionada, pois ja estava todos essas dias sem praticar (que apego heim!!!)... entao comecei a questionar sem parar o metodo, ficava observando e criticando tudo como louca... sai mais cedo da meditacao da tarde... muita fome, estava vazia, vateada e sem muitas prespectivas com relacao ao que eu estava fazendo.
Entretanto, confesso que estava amando o silencio, foi realmente profundo este contato comigo mesmo, o confinamento faz com que voltemos nossa atencao para dentro, pude perceber e entender muita coisa... entao assumi o quanto a experiencia estava sendo incrivel.

DIA 8 - A ENTREGA
Me entreguei ao metodo, meditei profundo o dia todo, minha mente calou... sem pensamentos... tudo tranquilo... a nao ser a barriga da Marza sentada a duas almofadas da minha... Gente juro, nunca vi nada igual... as vezes me dava vontade de rir e eu nao tinha certeza que aqueles sons vinham dela, mas a direcao era, fiquei preocupa e ao mesmo tempo me diverti... fui prestar atencao na Eti e percebi que a velha que sentava atras dela era a pessoa que arrotava desesperadoramente o tempo todo... hehe tadinha!!
No intervalo assisti o show da familia de macacos que morava la... tinha um sem um braco, outro sem o rabo e outro com o rabo pela metade, tinham macaquinhos bebes lindos. Uma famila unida e divertida, vi os macacos fazerem amor, sexo, brincadeiras, brigas e tudo mais.
Dormi tranquila, mesmo com a cama que parecia me matar e a craca do meu corpo que estava ficando grossa de tanto banho de balde.

DIA 9 - A RECOMPENSA
As meditacoes hj foram as mais profundas, sou incapaz de contar o que pensei, pois acho que nao pensei em nada mesmo... minha mente cedeu a pressao, vivi intensamente todas as sensacoes, o contato comigo mesma... abstrai completamente o que nao fazia parte do retiro e vivenciei de corpo e alma o meu presente... E por estar no presente me senti livre e feliz por tudo que sou, tenho e estou neste momento da vida!!

DIA 10 - O FIM DO SILENCIO
um dos momentos mais incriveis de toda a viagem foi sem duvida as meditacoes da manha... muito forte, o grupo silencio, sem mente, peidos, gemidos, fuga... nada. apenas a meditacao... imovel, o corpo adormecia mais nao provocava desconforto, tudo que naquele momento importava e fazia sentido era a meditacao, a entrega a sensacoes e ao objetivo de estar ai passando por toda essa maluquice: ser feliz e livre!!!
Apos as 11h da manha o silencio absoluto finalizou... saimos da sala, choramos emocionadas e completamente realizadas pela experiencia, que sem duvida uma das mais incriveis que ja vivi em toda minha vida!!!
O resto do dia foi de risadas e conversas... amanha depois do cafe estariamos livres... e felizes!!!

Rotina:
4:00 - sino para despertar
4:30 as 6:30 - meditacao no hall centra
6:30 as 8:00 - cafe da manha
8:00 as 9:00 - meditacao em grupo
9:00 as 11:00 - meditacao no hall principal, residencia ou cela
11:00 as 12:00 - almoco
12:00 as 13:00 - descanso
13:00 as 14:30 - meditacao no hall principal, residencia ou cela
14:30 as 15:30 - meditacao em grupo
15:30 as 17:00 - meditacao no hall central
17:00 as 18:00 - cha break
18:00 as 19:00 - meditacao em grupo
19:00 as 20:30 - Video, discurso do Professor
20:30 as 21:00 - meditacao em grupo
21:00 as 21:30 - sessao de perguntas com o professor
21:30 - descanso.

Codigo de disciplina:
Nao matar nenhum ser vivo (inclui todos os insetos);
Nao roubar;
Nao mentir;
Abster-se de atividades sexuais;
Nao utilizar nenhum tipo de intoxicantes (remedios, cigarro, drogas, alcool, etc);
Nao misturar nenhuma outra tecnica ou filosofia de meditacao, yoga, ritual, atos religiosos, etc;
Silencio absoluto durante os 10 dias, inluindo palavras, gestos, olhares e contato fisico;
Utilizar roupas modestas e discretas e evitar o uso de acessorios;
Nenhum tipo leitura ou escrita sera permitida;
A alimentacao deve ser exlusivamente a oferecida pelo Dhamma;

Vipassana by Marza

Bom, acho que depois dos 10 dias de meditacao Vipassana temos muito o que dizer, ou nao...apenas sentir...

Mas tambem acho que cada uma tem que contar a sua propria experiencia, pois como diz o tiozinho Goenka (com todo respeito) "o objetivo de todos e o mesmo (a libertacao) mas cada um faz seu caminho". Mesmo que se repitam alguns detalhes, afinal de contas "ser humano e humano em todo lugar" e os processos e sentimentos acabam sendo os mesmos em algum ponto, vou contar a minha experinecia...

Nao vou contar como foi dia apos dia, pois nao vou lembrar muito bem ja que "no writing and no reading" (nao podiamos nem ler nossos livros e nem fazer nossas anotacoes) estavam entre as regras do jogo. E talvez minha amiga Kaka fale mais sobre a tecnica em si...

Depois de passar uma noite no melhor hotel que ja ficamos na India ate agora - Hotel Umaid Mahal (Jaipur) - chegamos no Vipassana Center depois de um dia de exploracao financeira. Jaipur e o lugar em que eles mais abusam de nos estrangeiros e simplesmente dobram, triplicam os precos, pois somos claramente ocidentais. Com excecao da Kaka que se colocasse um sari seria a perfeita indiana. Enfim, chegamos no centro estressadas de tanto assedio nas lojas da cidade e morrendo de fome. Depois de fazer a inscricao e ser explorada mais uma vez pelo taxista, comecamos a estremecer pelo fato de que agora nao tinha mais volta e a duvida era grande se realmente iriamos conseguir ficar 10 dias sem falar uma com as outras, sem praticar qualquer atividade fisica, incluindo yoga, sem ler, sem escrever, sem maquina fotografica, sem MP3 ou qualquer tipo de entretenimento, sem contato algum com o mundo la fora, com o passaporte retido, na duvida se iriamos passar fome, etc...Cada uma tinha seu quartinho com banheiro de padroes indianos de limpeza, cheio, cheio de bichinhos desconhecidos, varias especies de aranhas, uma familia inteira de lagartixas e alguns formigoes. O banho era de canequinha, mas tudo bem, tudo estava inserido em um ambiente super gostoso e agradavel, com muito verde e animais lindos do lado de fora - macacos, pavoes, periquitos, esquilos. Fomos advertidas sobre as visitas de cobras e escorpioes, que nao aconteceram.

Apesar de tudo conseguimos enfrentar o Vipassana ate o final, e mais facil do que pensei...

Acordavamos as 4 da manha e dormiamos as 9:30 da noite. Haviam 3 refeicoes por dia, incluindo pimenta no cafe da manha, que nao seguravam a barriga por muito tempo sem roncar (acho que meditar gasta muitas calorias) e mais ou menos 10 horas de meditacao - ou tentativas - por dia, ou seja, a bunda ficou flat flat, perdi uns kilinhos e tenho cheiro de indiano ja. Sem muito o que pensar tentei viver o sistema de corpo e alma. Nesses dias voce nao poderia matar (nem as formigas e aranhas que tentavam invadir a sua cama), roubar, contar mentiras, ter qualquer atividade sexual (so nao sei se pensamento e uma atividade sexual, pois pensei muito no meu namorado, agora ja foi) e nao se intoxicar (fui obrigada a tomar uns antibioticos nos ultimos dias por conta de uma amidalite). Talvez nao tenha sido tanto de corpo e alma, mas mesmo assim obtive alguns bons resultados psicologicos e espirituais, de certeza...Nao senti em nenhum momento aversao por estar ali, pelo contrario, adorei a minha rotina...claro que nada e maravilhoso o tempo todo, mas tudo bem tambem...lei da impermanencia, everything is always changing...ja e um aprendizado!!!

Eu nunca havia praticado qualquer tipo de meditacao que nao fosse rezar na minha caminha confortavel, e de repente tenho que ficar horas sentada prestando atencao na minha respiracao natural. Well, acho que nao passei mais de 5 minutos correntes concentrada nela nos primeiros 3 dias. Era realmente improvavel que a minha mente que tem me dominado durante esses anos todos iria deixar eu nao pensar em nada "nem no futuro e nem no passado", so sentir a minha respiracao e nao as dores no meu joelho e viver somente no presente momento em que entra e sai ar das minhas narinas. Certamente nesses primeiros dias fiquei na batalha mente/respiracao, sem qualquer ansiedade -"just observe" e outro ensinamento - voltando sempre feliz pro meu quartinho de prisao e pro meu mundinho um tanto autista. Mas as vezes, quase sempre, estava eu quase super concentrada e era acordada por algum duplo arroto de nossas colegas velhinhas no fundo da sala. No quarto dia aprendemos a real tecnica Vipassana, a qual prefiro nao dar muitas explicacoes para nao gerar expectativas, e com muito alivio descobri que nao teria que ficar 10 dias apenas sentindo a minha respiracao. E e nesse dia que sinto pela primeira vez meu corpo vibrar por dentro. O que seria isso?? E dificil de explicar, mas so sei que fiquei tao assustada e meu coracao acelerou tanto, mas tanto que fui obrigada a abrir os olhos, pois nao tinha ideia de onde eu iria parar, ja que meu corpo nem se movia. E nos proximos dias fui sentindo outros tipos de sensacoes, vibracoes, choquinhos, bolhas estourando no meu ouvido, etc...Mas infelizmente a batalha com a minha mente nao parou. Ela continuava firme e forte. O momento mais esperado do dia era o video do Goenka que tinha o dom de descrever nossos sentimentos dia apos dia. Ele sempre acertava o que havia acontecido no meu mundinho de batalhas. Ele nos fazia rir com suas piadinhas. Ah, de certeza a coisa que mais senti falta nesses dias foi de dar boas risadas, mesmo rindo a toa por dentro, tinha que desviar as minhas amigas pelo caminho para simplesmente nao cair de tanto rir e ser expulsa do Vipassana. O sexto dia minha mente me rendeu e me dominou o dia inteiro. Tentei desencanar e aceitar o fato de que ela ainda e mais forte que eu, as vezes. No oitavo dia apelei para os antibioticos, ja que nao estava em casa com meu remedinhos naturais e isso atrapalhou um pouco minha performance meditativa. Nos ultimos dias ja nao sentia tantas dores pelo corpo mas ja nao me concentrava tanto. Cheguei a ficar apegada com aquela rotina e meu quartinho, mas o mundo aqui fora e tao bom!! No ultimo dia, no qual podiamos falar, falar e falar fizemos umas amigas indianas, o que foi bem interessante...

Nao sei ate que ponto isso tudo mudou a minha vida, mas estar somente comigo nesses 10 dias foi alucinante...tive a certeza de que a minha felicidade e a solucao dos meu problemas estao sempre dentro de mim e nao nas coisinhas e pessoas la fora...que "tudo passa e esta em constante mudanca" e que eu devo sempre "observar" todas as situacoes da minha vida sem muito desejo ou ansia de que elas acontecam e sem aversao ou relutancia pela as que eu nao quero que acontecam.

Vamos ver o que acontece no dia a dia, back home...e la que eu vou ter certeza dos beneficios desses 10 dias intensos...