Quem somos

28 de jun de 2014

Aos Mesmos Castelos

Em tempos de renovação, projetos, mudança de ciclo, copa do mundo, novos e sempre velhos destinos, mesma vida por outros olhos, mesmos processos por outras perspectivas... aqui eu me encontro, em uma nova tentativa de descoberta através deste blog.
Eu mesma me perguntaria "descoberta, do que?". Eu mesma responderia "sei lá!!".
Seria muito mais claro se não fosse tão complexo.
Tudo começou como uma forma de registrar minha primeira viagem à India e consequentemente minha paixão por San Francisco. Desde então já foram algumas idas e vindas à terra sagrada do Yoga e algumas profundas passagens pela California.
Será que um dia isso acaba? Honestamente, apesar de apresentar sinais de exaustão, espero que não.
Incansavelmente as emoções se repetem, eu, incansavelmente, sigo observando. Aprendendo, relaxando, tencionando, processando, aprendendo, vivendo, sorrindo, chorando e embarcando.
Já não tenho mais 20 anos, já não tenho mais aquelas responsabilidades sociais de adolescente "filhinha de papai". No auge dos 35, numa rotina insana de gente grande, com família, trabalho, e preocupações reais, ainda me pergunto "Onde isso tudo vai me levar".
Sigo sem saber, embarcando para India mais uma vez, sexta viagem.. planejando, antes disso, uma breve passadinha em San Francisco, só para dar um 'cheiro', um pequeno registro. Oficialmente marcar o retorno ao blog, as postagens, aquela exposição maluca, a insana vontade de sei lá o quê.. mas, o registro dos momentos, dos sonhos, das conquistas e frustrações.
Do que mais se alimentaria a vida humana senão dos seus próprios gostos e aversões, medos e superações, expectativas, erros e acertos.. do que mais valeria senão a entrega, a brincadeira, a vida pelo que ela é, a própria confusão.. o reconhecimento de si mesmo e enfim, a transformação.
Do que mais valeria a vida humana senão fosse a observação, as lições, o movimento constante em busca do próprio ser, livre de todos esses ciclos, simplesmente e verdadeiramente livre.
Eis o objetivo, a resposta, a eterna busca.

1 de nov de 2013

31 de out de 2013

Indian Treatment

A entrada da clínica é um espetáculo, ao menos para os estudantes de Ayurverda no ocidente. Um pequeno jardim cheio de plantas medicinais e suas placas indicativas... Se a primeira impressão é a que fica, me conquistaram.
A aparência da casa não era de todo mal, ao entrar, um altar florido cheio de gente, tudo limpinho e uns indianos super simpáticos na recepção.. abraços e sorrisos para todos os lados.. assim fui relaxando cada vez mais.
Após a consulta, com o dignóstico e tratamento na mão, aceitei tudo.. Dalí há uns dias, iniciaria o famoso Virechana... 



Vamos ao passo a passo do tratamento:
Dia 1. Termino a prática e vou direto para clínica, com uma cadeira em frente ao altar, sou recepcionada por uma bandeja com 30 ml de ghee (manteiga purificada).. ao entoar o mantra, sentada em frente ao altar, tomei meu café da manhã.
Um horror, me senti mal o dia inteiro.. dor de cabeça, a restrição da dieta e aquele gosto de óleo vindo do estomago até o meio da tarde... pensei que não sobreviveria até o fim.
Dia 2. Termino a prática faminta e vou direto para clínica, com uma cadeira em frente ao altar, sou recepcionada por uma bandeja agora com 60 ml de ghee medicado (curcuma, gengibre e outras especiarias). E, ao entoar o mantra, sentada em frente ao altar, tomei meu café da manhã. Oh Lord, como aumentou o volume, a coisa não desce em apenas um shot, tem que dar uma paradinha, o que torna o negócio muito mais nojento do que parece.
Passei o dia enjoada, mas bem.
Dia 3. Termino a prática desesperada de fome e vou  para clínica, a mesma cadeira, bandeja e mantra, me preparo para agora tomar os 90 ml de ghee. 
Sobrevive, mas, passei o dia preocupada com o amanhã, já que a dose seria desafiadora, 120 ml... e juro, não via possibilidade alguma para meu corpo receber qualquer quantidade extra de óleo... e a noite, veio a primeira liberação, um bela caganeira.
Dia 4. Termino a prática apavorada com o que me espera que até esqueço da fome. Na clínica, fui informada que não precisaria da tal dose, já que meu corpo havia apresentado sinais de saturação no dia anterior. Ufa.. dei um belo abraço na Indiana e segui para a sala de massagem.. 
Dia 5 e 6. Não tem o shot ghee mas, a tortura continua. Restrição alimentar e a tal massagem a quatro mãos.. cada uma prum lado, com pressões diferentes e falando a língua delas no meu ouvido. Óleo de gergelim medicado e fedorento.. tapas na cabeça, puxões de cabelo e enfim.. 10 minutos na sauna. Depois de derreter, banho.. me resta aquela tornerinha da foto abaixo.. remover o óleo? Ducha? Esquece.. talvez quando chegar no Brasil.
Dia 7. Ultimo dia.. Acordei irritada, cansada de ir para a clínica, com nojo do cheiro do óleo, fome de comida normal, cansada da dieta, de saco cheio com tudo. 
"Por favor, posso ir direto para a tal geléia e deixar de lado a massagem? Estou com ânsia do cheiro do óleo" e recebo como resposta: "not possible Madam".
Além de ter que me submeter aquele procedimento, me esqueceram na sauna "hey excuse-me.. por favor alguém, me tire daqui"... consegui escapar e veio a geléia.. meu Deus, não desejo isso para ninguém - nojento, pegajoso, difícil de mastigar, impossível de engolir.. eis o maior de todos os desafios.
Missão cumprida, tomei a gororoba e fui para meu quarto privado.. dalí uma hora as caganeiras deveriam começar, recebi um papel para anotar cada ida ao toilete (hora, cor e qualidade das fezes)..
Depois da primeira ida, ao notar o banheiro entupido, aquela situação toda, travei.. não consegui ir mais.


As 15h o Doctor veio nos ver,  eu havia ido uma vez e estava passando mal, de jejum ainda e querendo vomitar a tal geléia, minha colega, que estava no quarto ao lado, havia ido 13 vezes nesta altura... e aí, o doctor me deu um composto de ervas para estimular ainda mais a eliminação.
Quando olhei aquilo pensei "se entrega Kaká, vc precisa se entregar.. let it go.. deixa sair o que está preso aí, confia neles, confia em tudo mais.. relaxa o controle".
Terminei o dia indo algumas vezes em casa.
Dia 8. O Pancha karma deveria ter acabado, a ideia era manter a dieta por mais dois dias e então vida normal... Mas, acho que relaxei e me entreguei tarde demais.. acabei inaugurando todos os toiletes de Mysore que cruzaram meu caminho.
E foi isso..
Moral da história.. me libertar das toxinas foi apenas um mero detalhe nesse tratamento.. o desafio da dieta, restrição, a entrega, a sujeira, a confiança.. isso foi tudo muito mais profundo que eu imaginei que poderia ser.


Mera Coincidência

Qualquer relação entre essas duas frases pode ser mera "coisa da minha cabeça".
Sei lá.. fiz alguma relação.


Then.. You need to practice Ashtanga to remove it.

"Ashtanga is for the hungry, the ones who have something gnawing inside, the ones who honestly aren't happy accepting complacent norms. Ashtanga is for those who are alive with intense feelings that there are worlds to discover, worlds that are found by reaching passionately inwards for expression that will contribute to personal and collective healing".
David Garrigues
www.davidgarrigues.com


Eu vejo flores em vc..

MYSORE... Como é especial essa cidade... 








Isn't it so true?


23 de out de 2013

Piercing

Na primeira viagem à Índia, era aquela frescura sem fim... Escovava os dentes com água mineral, chai nem pensar, comida só em lugares de estrangeiros, desinfetante na bolsa, lenço umedecido... e por aí vai, um monte de restrição.
Já na segunda viagem, tudo parecia mais familiar, fiquei um pouco mais ousada, porém, a neurose estava sempre presente... dalí em diante, na terceira e quarta vez, já me sentia em casa, ainda com certas restrições e alguns medos, mas, tranquila e um pouco mais experiente.
Agora na quinta.. até colocar um piercing no hospital eu coloquei.
Sei que parece simbólico, mas, foi uma transformação que eu passei logo que cheguei aqui. Desembarquei e aquela estrada na madrugada de Bangalore para Mysore, o cheiro de Jasmim, as comidas, tudo parecia tão habitual e simples que eu relaxei.. e relaxei mesmo.
Comprei o brinco e fui na emergência do Hospital, depois de alguma espera, vem o Doctor, tira o sapato, faz um mantra na frente do altar e me chama para o andar de cima.
Lá, tiro os sapatos para atravessar uma porta, era a UTI, do outro lado, esse quartinho da foto abaixo no qual o furo foi feito.
No final, não sei se era vontade de colocar o piercing mesmo ou era a aventura da experiência, seja lá qual for, valeu a entrega.





30 de jun de 2013

Don't be afraid of the dark


When you walk through a storm
Hold your head up high
And don't be afraid of the dark

At the end of the storm
Is a golden sky
And the sweet silver song of the lark

Walk on through the wind
Walk on through the rain
Though your dreams be tossed and blown

Walk on walk on with hope in your heart
And you'll never walk alone
You'll never walk alone 


(by R. Rogers/O. Hammerstein II)

A televisão podou as tuas asas



Essa música é pré manifestação no Brasil.. Lembro que o Bruno me mostrou há um tempo atrás, achei muito boa, coerente e realista.
Ontem, quando voltei a ouvi-la me dei conta da realidade que estamos vivendo hoje no Brasil.
"A revolução não será televisionada"