Quem somos

22 de ago. de 2011

I like to leave! - o padrão

"I like to leave" - eu gosto de partir. (diálogo do filme "A Insustentável Leveza do Ser").

me levou a este pensar...

"E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: "Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência - e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez - e tu com ela, poeirinha da poeira!". Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: "Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!" Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: "Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?" pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?"
(Friedrich Nietzsche - A Gaia Ciência)

7 de ago. de 2011

limpeza geral!

Hoje em dia além de armários para serem organizados, temos os inseparáveis computadores que também pedem organização de tempos em tempos por estarem cheios de coisas que não usamos mais. Precisamos abrir espaço para novos bytes. Ou um novo computador, se preferir. Assim como roupas com cheiro de mofo nos fazem relembrar momentos de uma vida de algumas décadas, as fotos, músicas e escritos digitais que habitam os computadores também nos trazem muitas lembranças esquecidas temporariamente...organizando o 'lixo' de meu computador encontrei um texto para esse blog de quase 1 ano atrás.

http://wearealittlecrazy.blogspot.com/2010/09/hora-de-acordar.html

Relendo e relembrando aquela fase de minha vida decidi mais uma vez aproveitar o sofrimento de meu corpo e mente atual! E neste exato momento me conscientizo que tudo que estou precisando é de uma nova 'limpeza profunda' em minha mente, como essas de armários e computadores. Uma organização apurada e concentrada, igual a que se necessita para brincar com um cubo de Rubrik. Processar o que já passou e o que ainda está por vir. Organizar as ideias. "Procurar ter uma visão mais verdadeira, mais bela...das coisas". E então aguardar a leveza e a clareza que acontece quando se cria espaço para o novo, respeitando e observando os ciclos, selecionando o que perdeu sua utilidade e não tem nenhum outro papel além de alimentar egos, apegos e confusões, e finalmente a tão merecida paz! Até a impermanência mudar tudo outra vez...

5 de ago. de 2011

Inteligência sem emoção não funciona

Por George Vittorio Szenészi

O psicoterapeuta diz como a capacidade de lidar bem com os sentimentos ajuda a ter sucesso na carreira e assegura que as empresas que constroem ambientes harmoniosos são mais produtivas

A maioria dos estudos realizados para descobrir o perfil do profissional de sucesso revela que ele deve ser capaz de se relacionar bem com os companheiros de trabalho. Isso implica habilidade para ouvir, falar de maneira clara, evitar rompantes de irritação ou outras situações desagradáveis e compreender as emoções do outro. Ou seja, ter o que os especialistas chamam de inteligência emocional no trabalho. Afinal, não basta mais apenas ser um profissional com excelente conhecimento sobre sua área. É preciso saber lidar com suas emoções – e com a dos outros – para que o desempenho seja melhor.

Trata-se de um conceito cada vez mais debatido no mundo do trabalho. Está comprovado que quanto mais os funcionários trabalham em harmonia, maior a produtividade. Consequentemente, mais significativos são os lucros. "Estamos assistindo a uma mu dança importante. No passado, montadoras como a Ford e a Volvo tiveram influência como modelos no processo produtivo. Hoje, grandes empresas de tecnologia estão estabelecendo novos exemplos para as organizações humanas", diz o psicoterapeuta George Vittorio Szenészi, 64 anos. Consultor, participante de programas e palestras de desenvolvimento para executivos e profissionais e coaching emocional – ajuda na administração de emoções no desempenho pessoal e profissional –, ele deu a seguinte entrevista à ISTOÉ, de seu consultório, em Florianópolis (SC).

Istoé -No que se concentram os es tudos de inteligência emocional?

George Vittorio Szenészi - Eles buscam entender o peso e os efeitos que as emoções têm na habilidade de cada um para lidar com o cotidiano pessoal e profissional.

Istoé -Qual a relação do conceito com o mundo do trabalho?

George Vittorio Szenészi - Os estudos apontam que os sentimentos, os valores e as preferências individuais e os relacionamentos têm impacto fundamental na vida pessoal e profissional. Indicam ainda que a performance não depende apenas do quociente de inteligência (QI): pessoas com QI alto podem ter menos sucesso no trabalho do que aqueles com QI inferior à média.

Istoé -O que caracteriza um profissional sem inteligência emocional para o trabalho?

George Vittorio Szenészi - Pessoas com inteligência emocional pouco desenvolvida têm dificuldade para estabelecer uma relação harmônica com os outros. Podem ser incapazes de ouvir. E esse é um grande desafio – elas têm imensa dificuldade para abrir mão temporariamente de suas convicções apenas para entender os outros.

Istoé -Há outras marcas?

George Vittorio Szenészi - É comum não reconhecerem suas emoções. E essa habilidade é fundamental para um bom profissional. Ele deve saber quando está sob o domínio de sentimentos e que, por isso, precisa evitar decisões, adequar comportamentos e mudar atitudes. Uma pessoa em estado de euforia, irritação ou frustração não está em condição emocional própria para tomar decisões.

Istoé -Qual a relação entre as emoções e as decisões?

George Vittorio Szenészi - Há ligações entre os circuitos cerebrais responsáveis pelo processamento das emoções e os circuitos do raciocínio e da tomada de decisões. O que podemos afirmar é que inteligência sem emoção não funciona.

Istoé -Por quê?

George Vittorio Szenészi - As emoções fornecem os critérios norteadores do processo racional. Toda decisão se dá num "molho emocional" no qual se situam as preferências, os impactos das experiências passadas, os valores pessoais e organizacionais, critérios como urgência ou qualidade. Não existe inteligência efetiva sem vida emocional efetiva. Pessoas emocionalmente instáveis tomam decisões, frequentemente, inadequadas.

Istoé -Como age um profissional com pouca inteligência emocional no relacionamento com os colegas de trabalho?

George Vittorio Szenészi - Ele possivelmente não sabe lidar de maneira compreensiva com a emoção dos outros. Enxerga mais a si do que o outro. Muitos têm dificuldade de saber quando o outro está num momento para ouvi-lo e perdem excelentes oportunidades para se calar – e falam, sem perceber que sua fala não está chegando ao principal "órgão decisor" de qualquer um – o coração.

Istoé -Por que parece haver tantos indivíduos com baixa inteligência emocional em cargos de chefia?

George Vittorio Szenészi - Há alguns fatores envolvidos nisso. Se sou um diretor de uma empresa e não tenho sensibilidade para essa questão, não vou reparar que um gerente meu, por exemplo, não trata bem sua equipe. Em geral, essas pessoas trazem resultados, o que faz com que a companhia releve sua dificuldade de relacionamento. Mas aí reside um grande equívoco. Se o gerente usasse mais sua inteligência emocional, sua equipe produziria mais com menos estresse, com mais energia e utilizando seu tempo com maior eficácia.

Istoé -O que o subordinado de um chefe sem QI emocional pode fazer?

George Vittorio Szenészi - Ele deve usar a sua inteligência emocional para entender como seu superior funciona, o que precisa fazer para ser ouvido, como criar momentos para tratar do tema que deseja.

Istoé -As empresas estão mais atentas ao peso dos sentimentos no desempenho de seus funcionários?

George Vittorio Szenészi - Estão mais atentas a certos aspectos da questão, como os relacionamentos, a solução de conflitos e o desenvolvimento de lideranças. Não me parece que olhem especificamente para os sentimentos, a não ser nas pesquisas de satisfação no trabalho, que com frequência geram mais relatórios que medidas efetivas. Olham para a motivação, mas nessa área boa parte ainda busca correções por meio de "palestras de motivação". Desconhecem que a motivação que faz diferença é a oriunda das preferências, dos desejos pessoais e dos estilos de cada um, e não de um palestrante que transfere o seu entusiasmo para os ouvintes.

Istoé -O que as companhias perdem em não contemplar esse aspecto?

George Vittorio Szenészi - Perdem sua energia – a disposição de cada colaborador – , seu tempo – mal usado pelos desgastes humanos e menor qualidade do trabalho – , e seu dinheiro, investido nas pessoas que oferecem menos do que poderiam. Se uma companhia constrói um ambiente que auxilia seus colaboradores a lidar com seu lado emocional – o que significa ajudá-los a saber o que fazer com as emoções ruins, a ouvir, a falar, a compreender o outro, a desenvolver a paciência – , certamente irá crescer muito mais. Se o ser humano ficar mais livre para expressar sua alegria e bom humor, seu afeto e prazer com coisas da vida organizacional, a sua criatividade, inventividade, flexibilidade e a saúde física e mental terão ganhos extraordinários.

Istoé -Há como medir o que elas ganhariam investindo no fortalecimento emocional dos funcionários?

George Vittorio Szenészi - É difícil mensurar. Mas cerca de 70% dos problemas têm relação com dificuldades de comunicação, por exemplo. Muitos chefes não sabem ouvir, não têm clareza na comunicação, distorcem informações, funcionam mais por julgamentos do que por observações, valem-se da autoridade mais do que da persuasão informada, buscam a obediência mais do que o compromisso da equipe. Porém, em equipes que trabalham seu equilíbrio emocional, a produtividade é maior.

Istoé -O que leva uma pessoa a não desenvolver inteligência emocional?

George Vittorio Szenészi - Temos que entrar na história das emoções para chegar a essa questão. Trata-se de um processo que começou a ser desenvolvido há milhões de anos a fim de garantir respostas rápidas para a sobrevivência da espécie. A emoção é uma reação do corpo em resposta a eventos da vida. Reagimos com emoções quando estamos diante de situações interpretadas pelo cérebro como oportunidades que apoiam a vida pessoal e a continuidade do indivíduo e da espécie ou como ameaças à sua integridade. São alarmes que avisam e nos predispõem para a ação. Quando agradáveis, nos dizem para continuar. Quando desagradáveis, nos avisam que algo ameaça a integridade da vida ou da continuidade da espécie. Foram úteis no tempo dos predadores e das forças desconhecidas da natureza. A construção da civilização interferiu nisso.

Istoé -De que maneira?

George Vittorio Szenészi - As sociedades criaram normas de "boa educação", incluindo a regulação da manifestação das emoções. A raiva, o medo, o amor, começaram a ser mediados pelos códigos de boa conduta e até pela religião. Quando o bebê começa a manifestar raiva, por exemplo, é ensinado com um tapa na mão que não pode ter esses acessos.

Istoé -Qual a consequência disso?

George Vittorio Szenészi - O ser humano desenvolveu outras formas de ter sua vida emocional. Descobriu que podia ter medo e raiva, mas sem mostrar. E criou emoções substitutas, socialmente aceitas. Em vez da raiva, surgiram o ressentimento, a mágoa, a irritação e o ódio, às vezes o ciúme ou a arrogância. Para substituir o medo veio a ansiedade, a indecisão. No lugar da tristeza, a saudade, a solidão.

Istoé -Esses sentimentos são piores do que os outros?

George Vittorio Szenészi - Sim. As emoções naturais, como a raiva, a alegria, são intensas. Surgem, ativam o corpo para reagir e desaparecem. As que as substituem são menos intensas, porém ficam por dias, meses, anos. Os sentimentos substitutos continuam lá, nos pedindo para serem trabalhados para que possam chegar ao fim. Eles impedem que os eventos que os guardam na memória sejam integrados ao acervo de experiências que geram a autonomia, a flexibilidade e as capacidades que aumentam nossa habilidade de lidar com a vida.

Istoé -Por que alguns têm mais inteligência emocional do que outros?

George Vittorio Szenészi - Faz parte da educação que cada um teve na infância. Crianças que foram ensinadas a lidar com as emoções, para as quais foi permitido que os sentimentos naturais viessem à tona e ao mesmo tempo aprenderam a administrar essas emoções colocando-as sob a orientação do respeito a si, ao outro e à coletividade, tornam-se adultos com maior inteligência emocional. As que foram criadas ouvindo regras que impediram a manifestação dos sentimentos apresentam mais dificuldade de lidar com seus estados emocionais.

Istoé -Como usar as emoções de maneira adequada?

George Vittorio Szenészi - Temos que aprender a capacidade de fazer uma emoção desagradável desaparecer rapidamente. Veja o problema da indecisão: não é a análise das alternativas que vai fornecer a solução. O problema é a indecisão em si, que é um medo não expresso. Elimine o sentimento da indecisão e a sua mente, acalmada, ficará livre do medo oculto e você tomará a melhor decisão.

Istoé -Quais os métodos que ajudam a fazer isso?

George Vittorio Szenészi - Há técnicas e práticas como a meditação capazes de dissipar sentimentos ruins muito rapidamente. Elas ajudam a olhar para o evento da forma que teria acontecido se tudo tivesse dado certo.

Tão bom voltar


Praticar é limpar a mente maluca e falante
de todo o lixo e escuridão que ela gosta de se apegar.

Rô Castellari


Já faz um tempo que escrevi para minha amiga Rô desabafando, falando das dores, processos e afins... principalmente chorando pela prática cheia de variações e limitações.
Ela me respondeu "prática, que prática.. relaxa Amiga".
Ela relaxou.. eu não consegui.. mas voltamos juntas e lindas para o mesmo movimento de purificação em busca de clareza.

É realmente "tão bom voltar".
Desse processo me curei, agora é aproveitar a boa fase... Amiga, obrigada sempre pelas palavras e inspiração!!

26 de jul. de 2011

E lá fui eu de novo..

De repente... tudo aquilo que parece tão bem, desmorona. Rápido assim!
Hoje foi um dia particularmente difícil, lidar com o estresse dos vira-latas, controlar a minha agitação e perceber que o comportamento de um depende do outro.
Cansei!!
Mandei um email com as fotos dos filhotes para adoção, recebi várias resposta me parabenizando pela iniciativa mas, adotar que é bom, nada. Fiquei tensa... por quanto tempo mais vou conseguir segurar toda essa onda: cocô, xixi, caganeira, buracos no quintal, coceira, vermes, alguém fugiu, levar para passear, rejeita a ração, tem que ser carne com osso e a lista parece crescer cada vez mais.
Ninguém me avisou que seria tão difícil assim, acho que vou traumatizar ou sair correndo, sei lá!

Fui praticar.. e percebi que eu me esqueci, fiquei para trás e já faz algum tempo.
Dedicação super ao namorado e a vida dos outros... talvez minhas dores, acho que quando realmente cansei delas eu me abandonei.
O que mais me alimentava já não existe mais... e só hoje eu percebi a falta que tudo isso faz.
Senti na pele a vulnerabilidade da vida em seus principais aspectos, no namoro, nas pessoas, no trabalho e dentro de mim mesma.
Quanto mais me distancio, mas eu me perco... e o movimento agora é me reconectar.
Recuperar a conexão do corpo com a mente.

Essas loucas paixões..

23 de jul. de 2011

Marza by Igor C.

"Eu morro muito de sede, os meus dias não se cabem, se batem, se sentem saudades.

São infinitamente muito curtos, me matam, se ardem, pra tudo que eu ainda nem sei...mas, mais que tudo,
eu morro muito de vontade."

Infos: http://www.nudefy.me/quintoelemento/

22 de jul. de 2011

Campanha Ma-Pa-ternidade Consciente!

Essa semana, conversando com uma cliente e 'reclamando' os fatos de nossos diferentes ramos, fiquei um tanto abismada. Eu 'reclamei' dos clientes que chegam para comer no último minuto antes de fechar as portas do estabelecimento, justamente naquela hora em que se está apenas de corpo, pois a alma já foi embora há algum tempo, cansou do dia. Ela na mesma situação 'reclamou' que nunca consegue fechar a escola no horário determinado. Ela é proprietária de uma escola/creche e aqui entra meu espanto pelo fato. O simples fato de que os pais esquecem de buscar suas crianças na escola no final do dia. Pois é, ela até deu exemplos como: o pai vai tomar uma cerveja com os amigos no bar e esquece, a mãe acaba esquecendo pois estava na academia, e por aí vai...
E hoje li esse texto da revista Galileu escrito por um pediatra:

Será que todos os seres humanos precisam ser pais? Não sei. Cuidar bem de uma criança, além de ser de sumária importância, dá um trabalho danado. Crianças choram à noite, nem sempre dormem bem, precisam de cuidados especiais, de limpeza, de banho, alimentação, ser educadas e acompanhadas até a idade adulta. E, principalmente: crianças precisam da presença dos pais, sobretudo as menores, que requerem a mãe na maior parte de seu tempo. Não é dando dois beijinhos pela manhã antes de ir para a creche, ou colocando a criança para dormir à noite, que será possível transmitir segurança, afeto e tranquilidade. Escuto muito a seguinte frase: “Doutor, o que interessa é a qualidade do tempo junto e não a quantidade”. Duvido. Diga ao seu chefe que você vai trabalhar apenas meia hora por dia, mas com muita qualidade. Certamente ele não vai gostar. Seu filho também não.

Sejamos sinceros, nem todo mundo está disposto a arcar com esse ônus. Talvez seja melhor adiar um projeto de maternidade, e mesmo abrir mão dessa possibilidade, do que ter um filho ao qual não se pode dar atenção, carinho e presença constante. Lembre-se que é preciso dedicar um tempo razoável: brincar junto, fazer os deveres de casa, educar, colocar limites.

Como fazer tudo isso e ainda continuar no mercado de trabalho? Usando seu horário de almoço para comer junto com seu filho. Fazendo visitas na creche durante o dia. Passeando no final de semana, em atividades em que a criança seja prioridade, como praia, parques, jogos em conjunto. Por favor, isso não inclui shopping center.

Sou obrigado a fazer todas essas coisas? Claro que não. Mas ser pai e ser mãe também não é uma obrigação, sobretudo nos dias de hoje em que a vida oferece infinitas possibilidades. Trata-se de uma escolha. E, como toda escolha, pressupõe que você abra mão de outras tantas. O que se propõe? A volta da mulher à condição de dona de casa? Também não. O que se propõe é a conscientização da paternidade e maternidade. A infância determina a vida de todos nós. Ela é fundamental para a existência humana. Na esfera psíquica, os primeiros dois anos significam a base da construção de uma personalidade saudável. A violência, a agressividade, a falta de ética, a amoralidade dos tempos modernos não são apenas fruto de dificuldades econômicas e sociais, mas da falta de amor, educação, limites.

Com a vida moderna, as crianças passaram a ocupar um papel secundário ou terciário na vida familiar. Lembre-se de que o futuro da humanidade vai depender dessas crianças que, provavelmente, chegarão aos 100 anos de idade. Fico triste quando, no consultório, a mãe não pode estar presente, ou o pai. E nem mesmo a avó: apenas a babá.

Deveríamos fazer uma análise tranquila antes da maternidade ou da paternidade. Queremos mesmo mudar nossa vida? Vamos ter condições de participar intensamente da vida desse novo ser? Se lograrmos essa consciência, tenho certeza de que o mundo irá melhorar.

Ter filhos é preciso muita paciência e consciência. Criar é fácil, educar não. Quer melhorar o mundo? "Seja a mudança (você e seu filho) que você quer ver no mundo." Já que se trata de uma escolha, não custa pensar bem. Não se preocupe se você não se sente preparado. Nossa espécie já está mais do que perpetuada e nas redes sociais você pode encontrar várias outras pessoas com a sua cara. Na dúvida, não tenha! Use camisinha!

Minha vida de vira-latas